terça-feira, 20 de maio de 2008

Memória da Roda de Abril e Carta ao governador

Bem, já que continuamos querendo pautar nossa conversa com o governador, postamos aqui a memória de nossa roda de diálogo de abril deste ano, na qual conversamos com o Secretário de Juventude e Emprego, Pedro Mendes.


Memória Roda de Diálogo – 10 de Abril
Tema: Continuação do diálogo com o Governo do Estado sobre política pública de juventude.

A Roda teve como convidado o Secretário Especial de Juventude – Pedro Mendes para suscitar o diálogo a partir da carta apresentada pela Roda de Diálogo, solicitando diversas informações sobre juventude no Estado. O segundo momento da Roda foi dedicado a uma avaliação sobre a Conferência Estadual de Juventude.

Pauta da Carta*:
- Repasse de informações sobre as ações da Secretaria;
- Repasse de informações sobre o que o governo tem previsto para as juventudes;
- Informações sobre o Projeto Dialogando;
- Tramitação do Plano Estadual de Juventude;
- Grupo Intersetorial.

Fala de Pedro Mendes, Secretário Especial de Juventude:

* A juventude pernambucana vem retribuindo a convocatória do governo. Ela está madura para discutir política pública.
Este diálogo iniciou antes do governo e está cada vez mais intenso.
A Secretaria de Juventude atua na transversalidade e diretamente na institucionalidade, a exemplo do Projeto Dialogando e do Plano Estadual de Juventude.

* Finalização do Plano. Até agora foram feitas conversas com a sociedade. Neste momento, haverá uma pactuação entre e dentro do governo.

* Comitê intersetorial é presidido pelo governador e reúne 16 secretarias e a FUNDAC
A primeira reunião foi dedicada à formação, apresentação e funcionamento do Comitê. Houve solicitação de informações para repasse na segunda reunião, que iria acontecer hoje, mas foi cancelada.
O Modelo de Gestão foi baseado na definição de prioridades, com a definição de 10 macro objetivos. Haverá interferência direta do próprio governador no acompanhamento das ações.

Prioridades para 2008
1) Plano repassado para a Assembléia Legislativa até julho. Previsão de que ele seja sancionado ainda este ano. A Comissão da Assembléia tem participado de forma mais próxima no sentido de facilitar a tramitação.
2) Conselho Estadual de Juventude (deliberativo). Proposta é também de trabalhar com os municípios para que se tenha, pelo menos, 50 Conselhos Municipais.
3) Atuação nas escolas, interagindo Educação, Cultura e Esporte, a partir do segundo semestre (previsão no Pacto pela Vida) – “Juventude em Movimento”.

Obs.: ainda haverá repasse de informações das Secretarias para melhor definir quais serão as prioridades a serem garantidas no PPA – Plano Plurianual.

Proposta:
Repasse do documento com as prioridades 2008 para a Roda de Diálogo e, em 10 dias, possibilitar uma conversa.

Avaliação sobre a Conferência Estadual de Juventude

- Acerto na forma de construção coletiva, inclusive com uma grande participação do interior.
- Os grupos de trabalho funcionaram muito bem.
- Falta de discussão política entre os grupos.
- Ociosidade no domingo, que foi preenchida a partir das iniciativas dos próprios jovens.
- Falta a definição de qual é a pauta, a bandeira da juventude (sociedade civil).

Encaminhamentos
- Oficializar o interesse e a necessidade de realizar uma Roda de Diálogo com o governador – Péricles, Waneska e Zé Alberto.
- Repasse de informações para a Roda de Diálogo sobre prioridades para 2008 – Secretaria Especial de Juventude.
- Retorno com sugestões sobre as prioridades do governo para 2008 – Roda de Diálogo.

Waneska Bomfim - ETAPAS


* A Carta encaminhada naquele momento, era esta ao lado.


Subscreveram a carta (ordem alfabética):
Instituições e coletivos (estas foram as que deixaram claro que assinavam como entidade):
Equipe Técnica de Ass. Pesquisa e Ação Social – ETAPAS; Escola Quilombo dos Palmares - EQUIP; FASE- Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
Fórum das Juventudes-Recife; Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares- GAJOP; Grupo Mulher Maravilha; Grupo Curumim; Instituto PAPAI; Serviço de Tecnologia Alternativa – SERTA.


Pessoas(representantes de instituições ou ligadas à causa juvenil):
Ana Carla Lourenço da Silva - Projeto Crescendo no Morro; Carine Hansen - Centro de Comunicação e Juventude; Clara Siqueira – Grupo Mulher Maravilha; Dario Pereira - Afoxê Omo Nilê Oguntá; Diglane Galvão Neto - Programa de Promoção da Infância e Juventude – Diaconia; Edna Jatobá - Programa de Educação para a Cidadania -GAJOP
Elisabete Silva - SERTA; Enildo Luiz Gouveia - Associação Semente do Novo -ASSENO e Pastoral da Juventude do Meio Popular -PJMP; Erica Santos - SERTA; Eveton Lima e educadores/as - Escola Pernambucana de Circo - EPC; FASE- Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional; Fórum das Juventudes-Recife; Gina Barros - Rede Reação/Ciranda Encantada; Graça Elenice - Escola Quilombo dos Palmares - EQUIP
Grupo Curumim; Hugo Rogério de Barros - ISCCE- Instituto Sócio Cultural Ciranda Encantada/REDE REAÇÃO; Jakeline Lira – Inspetoria Salesiana do Nordeste / Comissão da Roda de Diálogo; Jaqueline Soares - Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE; Jerson Ferreira - EDUCA - Pina; João Simão Neto - Comissão da Roda de Diálogo
José Alberto P. da Silva - Comissão Pró-Arraial (Compasp) / Fórum das Juventudes do Recife; José Pires - PROCRIU; Joel Ricardo da Luz; Josenildo Pessoa Senna - Projeto Peixearte - Olinda; Juliene Tenório; Karina Xavier; Kelly Regina; Marcone Costa - Leões do Norte; Maria Angela; Mônica Escobar - Gerência de Educação Complementar - Prefeitura do Recife
Otávio Luiz Machado - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE; Patrícia Coreia - GAJOP; Péricles Chagas - COJUVE / RJNE; Rafael Nasper - PROCRIU ; Reginaldo Veloso - Gerência de; Animação Cultural - Prefeitura do Recife; Ricardo Castro - Instituto PAPAI; Rogério de Barros - ESCAP/JUBANI; Sofia Graciano; Sueli Valongueiro - Secretaria executiva colegiada Grupo Curumim; Vandré Araújo - Grupo Mulher Maravilha; Vanessa Silva - Grupo Mulher Maravilha; Vanessa Pereira - Retome Sua Vida; Waneska Bonfim – ETAPAS e Comissão da Roda de Diálogo; Yana Regina - GAJOP

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Relato da última roda - dia 08 de maio

Na última quinta-feira, dia 08 de maio, o pesquisador Otávio Machado foi chamado para nossa Roda de Diálogo, conversando sobre o tema de seu trabalho: “História da Juventude e do Movimento estudantil no Brasil: os passos para inserção na memória do mundo e do Brasil”. Antes de propriamente começar, ele informou que parte deste material seria apresentado na Conferência Nacional, mas foi repensado para um seminário específico, que assim que for agendado, será avisado a todos.Para a Roda de Diélogo, o foco foi o ano de 1968.

O projeto já tem 3 anos e fez uma rica coletânea de entrevistas (quase 300) e documentos. Há um livro publicado (o qual já postamos como dica de leitura neste blog) e um DVD-rom, que reúne também mais de 50 autores. O projeto teve e em a preocupação de trazer o movimento estudantil como “tema” e de dar-nos o direito à memória e à verdade. Assim, não pretende ser produção apenas acadêmica.

Centrando mais em maio de 68, ou melhor, no ano/ época de 1968, Otávio trouxe algumas observações interessantes (que consegui anotar):
- Um dos autores mais lidos foi Marcuse.
- A leitura era de fundamental importância (formação política era ‘exigida”, as pessoas/estudantes tinham que ir preparados para as rodas de debate, discussão – dizer de onde tinha tirado tal frase, de que livro, etc – estudar pensadores era imprescindível)
-Depois de 68, surgiram muitos questionamentos, como à guerra do Vietnã, ao colonialismo, é presença feminina – machismo, liberdade...
- Pequeno histórico 68: março – manif. França e Alemanha, Abril – assassinato de Martin Luther King nos EUA, etc. Não podendo esquecer do “pano de fundo”da américa latina: Cuba (inspiração)
- Polarização ideológica da época (ou era a favor ou contra, ou era comunista ou da direita/ ditadura..)
- 1968 não foi apenas Rio-São Paulo, existiram muitas lideranças fora desse eixo (exemplo em 1967 da movimentação dos “excedentes” – jovens que terminavam ensino médio, passavam no vestibular mas não tinha vaga nas universidades – que foi nacional)
Zé Dirceu e Wladimir Palmeira foram líderes regionais
- 68 no Brasil: “Relatório Meira Matos” / Peça Roda Viva/ jovem Guarda / Morte do estudante Edson Luís / Biuna – Fichamentos / AI-5)

Na abertura para o debate, a primeira a se colocar foi Edna (Gajop), trazendo um conexão feita por ela baseada num detalhe da apresentação: “vendo o depoimento do Meira Matos, o quanto ela relembrou o “nosso” Meira, mostrando o quanto a ditadura influenciou/influencia na atuação policial até hoje”. Também relembrou o episódio do aumento das passagens de ônibus em 2005, quando os jovens foram às ruas. Afirmou também que hoje “a gente não vizualiza um grande ideal de luta do movimento estudantil e que eles não refletem toda juventude.

Graça Elenice (educadora da Equip) disse o quanto achava esta roda interessante. Pegando um gancho da fala do Ótávio que ela achou interessante, de que o movimento estudantil não foi só Rio – São Paulo, reforçou também que a juventude estudantil não era só universitária, havia a secundarista. E acrescentou que não somente a juventude estudantil fez a história da juventude do Brasil, a exemplo das juventudes católicas, juventude pastoral da terra, etc. Lembrou também dos vários veículos de comunicação que estão publicando matérias sobre 1968 e questionou uma afirmação que tem no Diário de Pernambuco do domingo dia 04 de que “a juventude está sem rumo”.. e trouxe outro questionamento: o que é que a juventude de hoje está fazendo para os problemas atuais existentes?.

Péricles (RJNE-PE) trazendo visão bem pessoal, colocou que os jovens em 68 não se identificavam enquanto jovens ou “juventude” com pautas específicas, que essa é terminologia muito recente. Eram militantes e que às vezes já se identificavam como adultos. Já hoje o recorte “jovem” é um elemento identificador. Já em relação ao movimento estudantil, ele coloca que tiveram esta atuação na época, mas... e depois? E diz que percebe um “saudosismo eterno”, mas que em relação a hoje, o que é o movimento ( carteira de estudante? Disputa de cargos?) e, numa visão também pessoal, percebe que eles não representam mais “a juventude” e talvez nem mais os estudantes.
E retomando o paralelo anterior, afirma: “hoje a juventude luta pela afirmação de seus direitos, lá era pauta ‘geral’.”

Jaqueline Soares (FASE-PE), que é formada em história, disse ficar muito feliz por ver a pesquisa, e reforça que a história não é um linha reta. Ela colocou que as juventudes sempre estiveram envolvidas nas lutas históricas. E que os jovens (diversos) construíram a história, e não apenas as juventudes partidárias.

Após essa rodada, a palavra voltou para Ótávio. Este, colocou que não concorda muito com a idéia de Péricles em relação à falta de identificação com “juventude” (exemplos “juventude operária Católica”, “juventude udenista”...). Agora observa que o “ser estudante” algumas vezes se confundia com o “ser jovem”.
Observa também que a “juventude” estava ligada à órbita da família, e que muitos não se entregaram tanto à causa assim (era que a universidade não estava proporcionando a ascensão social desejada por ele e pela família).
Em relação ao movimento estudantil atual, colocou que hoje é outro contexto, outra atuação ( a UNE dos anos 60 e a UNE de hoje são muito diferentes). Só para exemplificar: universidades publicas e milhares de universidades privadas hoje, questão da empregabilidade, antes: “colegas”, hoje: “concorrentes”, grades curriculares, rotatividade dos estudantes, enfim..
Neste momento, Otávio falou muito do que foi colocado na postagem anterior aqui do blog (e-mail enviado pelo próprio postado dia 09 de maio). Inclusive, como foi escrita por ele mesmo, estão bem mais claras suas colocações.

Com a hora já um pouco avançada, Alersson (Gerencia de juventude), Edna (Gajop) trouxeram algum comentários. Otávio também. Por último Graça (Equip) e Simão Neto.
Neste momento já anotei menos e de forma mais confusa, mas posso afirmar que a UJS foi lembrada. Graça tentou deixar claro que o tempo é outro, que as necessidades mudam, e que era importante refletir sobre “o que é que a UJS tem de pauta que ‘casa’ com as nossas” e mais, que era importante eles beberem nas próprias fontes, se avaliarem, mas, se estão ou não fazendo isso...”
Já Simão colocou que sempre foi contra pensamento único, e que é importante a diversidade, e lembrou que mesmo entre as organizações (ongs) e movimentos, que não só o estudantil, também há muitos que se fecham “em seus mundinhos” que muitos também não se preocupam em ir/ocupar espaços de discussão, espaços formativos. E aí emendou sua fala com o momento para os repasses:
- Ele, juntamente com Péricles, foram para reunião sobre o pacto pela Vida e conseguiram pautar a nossa audiência com o governador, estamos agora esperando a data.

Como sugestão para próxima Roda, ficou o tema: “Juventude e vida segura” (que será dia12 de junho), com a presença de Ratton e de Marcílio para instigar o debate. Falta apenas ambos confirmarem (já foram contactados).

Pó último, Auta (Etapas) pediu para que se fizesse alguma fala sobre a conferência, para quem estava lá dar uma pequena palavrinha. Assim, foi sugerido que graça lesse seu texto, que já foi postado neste blog e também entregue a todos presentes na roda, assim como a cópia das prioridades escolhidas na Conferência (estão no site
www.juventude.gov.br). Quem acabou de ler o texto fui eu, devido a emoção de Graça. Jaqueline Soares também demonstrou sentimento positivo em relação ao evento.

Bem, este é meu falho relatório, escrito de uma vez só e sem correções. Por favor, quem quiser e puder, complete.

Abraço,
Jakeline Lira


PS:
Nesta roda, tivemos a presença de 40 pessoas. O número talvez um pouco maior que o usual, para uma roda temática, devido presença de vários jovens ligados ao CCJ (acho que é Centro de Comunicação e Juventude).


sexta-feira, 9 de maio de 2008

40 anos pós-68 e artigo "monópolio da UNE"

O artigo "Monopólio da UNE" , que foi publicado por Otávio Luiz Machado hoje no Jornal O Tempo (Belo Horizonte), poderá ser visto aqui:
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=917&IdCanal=2&IdSubCanal=&IdNoticia=78482&IdTipoNoticia=1

Por outro lado, sob o título HISTÓRIA DA JUVENTUDE E DO MOVIMENTO ESTUDANTIL NO BRASIL: OS PASSOS PARA A INSERÇÃO NA MEMÓRIA DO MUNDO DO BRASIL, Otávio Luiz Machado apresentou na sede da Etapas, em Recife, um panorama geral do Projeto de Pesquisa "A Engenharia Nacional, os estudantes e a educação superior: a memória reabilitada (1930-85)" – PROENGE/UFPE, incluindo as duas vertentes: Acadêmica e Cidadã. A primeira mais voltada para a publicação de textos analíticos, identificação de novos documentos de importância para a história do movimento juvenil ou estudantil, divulgação de novos autores, a preocupação do movimento estudantil como tema de pesquisas e a construção de um acervo para novas pesquisas, enquanto a segunda foi tornar o tema mais conhecido pela sociedade, trazer para o domínio público documentos de arquivos privados ou escondidos em arquivos e contribuir para o tão falado direito à memória e à verdade histórica.
Também comunicou a formalização da candidatura do acervo do PROENGE no programa MEMÓRIA DO MUNDO DO BRASIL 2008 (Unesco), que representará de fato a possibilidade do conhecimento do acervo produzido pelo projeto, a sua preservação e a sua difusão à humanidade. Como o programa só contempla documentos originais, portanto foram inscritos 628 páginas com documentos textuais e 423 fotografias.
Com um público composto em sua maioria por jovens estudantes e envolvidos com os projetos sociais de juventude, membros de ONGs, professores do ensino fundamental e médio, o Coordenador de Atividades do PROENGE também fez uma longa introdução sobre os movimentos estudantis em 1968, além de debater com o público questões do movimento estudantil de hoje.
Para Otávio "o movimento mais espontâneo está acontecendo com as ocupações de reitorias", diferentemente da União Nacional dos Estudantes (UNE), que burocratizou e dominou o que poderia ser feito pelos estudantes, principalmente ignorando o que as mais diversas juventudes produzem e pensam. Nada fazem para motivar a participação política, segundo Otávio, levando-se em consideração a presença do mesmo grupo há quase 20 anos e o monopólio total junto ao Governo Federal, impedindo todas as iniciativa da juventude. Citou um projeto de Memória do Movimento Estudantil da UNE, que segundo ele, "o livro de história do movimento estudantil produzido pela UNE privilegiou o pessoal do grupo que tenta comandar o movimento estudantil ", o que seria a mais pura instrumentalização política da História.
Mostrou-se otimista com as ocupações, ao lembrar que "o movimento estudantil se faz a partir da preocupação de certos grupos sociais que se organizam e buscam atuar". Por outro lado, como lembrou que "o pensamento único mata o movimento estudantil", afirmou ser preciso "quebrar esses monopólios de entidades nacionais e a visão única produzida por tais entidades".
Otávio também mostrou sua preocupação com a história divulgada sobre 68, sobretudo no enfoque excessivo no eixo Rio-São Paulo, bem como em três ou quatro personagens. Citou o texto de Nilton Santos (ex-membro da Diretoria da UNE em 1968) que publicado no blog e que será capítulo de um livro a ser publicado:
"Ao contrário, são desconhecidas, por outro lado, importantes manifestações regionais como a mobilização massiva dos estudantes secundaristas baianos, em 1967, que de certa forma foi a "escola" de onde a diretoria da UNE e as entidades regionais tiraram as experiências que impulsionaram para a generalização das mobilizações nacionalmente. (...) Também são praticamente desconhecidas as manifestações estudantis de Minas Gerais que foram importantes atores na reorganização da UNE mantendo erguidas as bandeiras da UNE no pós 64 e onde a repressão foi feroz. Do mesmo modo mobilizações importantes ocorreram em Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio Grande do Sul, Pará, por exemplo, para citar apenas algumas, que praticamente não aparecem e não são comentadas (ou o são apenas rapidamente) nos livros e publicações que falam da UNE de 1968. Não se fala também da ação organizada da UNE e de sua diretoria, que foi decisiva na extensão das mobilizações a todo país e em sua coordenação" (ver em
http://sejarealistapecaoimpossivel.blogspot.com/2007/09/texto-1968-experincia-de-um-movimento.html ).
A partir daí, diferentemente do que é divulgado sistematicamente na mídia de forma errada, Vladimir Palmeira e José Dirceu foram lideranças regionais e não nacionais. Muitos dos líderes nacionais estavam entre os membros da Diretoria da UNE 67-68: Luiz Gonzaga Travassos da Rosa (AP-SP), e como vices Nilton Bahlis dos Santos (DI - Rio Grande do Sul) José Roberto Arantes de Almeida (DI - São Paulo), Luís Raul Machado (AP - RJ), Jacques Zajdsznajder (DI - Rio), José Carlos Mata-Machado (AP - Minas Gerais), José Carlos Moreira (AP - Pernambuco), Peri (PO - Bahia), Jari Cardoso (São Paulo) e Edson (Minas Gerais).

Por fim, em entrevista a um veículo de imprensa na tarde de hoje, Otávio foi enfático:
"A história do movimento estudantil brasileiro de 68 ainda precisa de muito mais estudos sérios além dos que já foram produzidos. È preciso coragem de todos para encararmos as enormes lacunas e as inúmeras distorções. E ainda mais: os covardes que só falam o que interessam a si próprios deveriam se abrir e falar o que é de interesse público, bem como olharem a história como uma importante área de formação para as futuras gerações. Faltam gestos e ações espontâneas e embasadas na ética pública. Infelizmente o poder de convencimento de alguns figurões driblam até experientes jornalistas. E os leitores ficam sem nenhuma crítica ou síntese do que foi 68".


Email enviado por Otávio Machado, nesta sexta pela manhã.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

MAIO DE 1968 - artigos, notícias...

Preparando para nossa Roda de Diálogo amanhã, vimos que o Jornal do Commercio, Folha de S. Paulo e diversos impressos estão com reportagens especiais e artigos.

Jornal do Commercio
Especial - 1968 - A revolução dos sonhos (publicação de 04/05 a 11/05)

Eles queriam o impossível
Publicado em 04.05.2008
Wilfred Gadêlha

wgadelha@jc.com.br

Há quem diga que 1968 foi um ano que não coube em apenas 365 dias. Um ano cuja influência continua sendo discutida 40 anos depois, alimentando polêmicas e reavivando debates. Um ano em que a juventude nascida após a Segunda Guerra assumiu o próprio destino. Ou pelo menos a tarefa de mudá-lo. De Paris ao Rio, de São Francisco à Cidade do México, os jovens foram às ruas brigar pelo que achavam certo. Em suma, por liberdade, seja sexual, política ou comportamental. Para o mundo, 1968 começou com o sopro libertário da Primavera de Praga. Para o Brasil, terminou com uma nuvem negra chamada AI-5. Mas foi com a explosão dos protestos dos estudantes franceses que o ano ganhou nome e sobrenome: Maio de 68, tema desta reportagem que dá início à série que o JC publica até o próximo domingo.

A noite de 10 de maio de 1968 só acabou para Jan Bitoun às cinco da manhã do dia seguinte. O estudante de 18 anos passou horas escondido com colegas parisienses no apartamento de uma velhinha, no Quartier Latin, o bairro parisiense que virou o foco incendiário – literal e figurativamente – daquele mês de maio. Ele se escondia dos homens de preto da Companhia Republicana de Segurança (CRS), o equivalente francês das tropas de choque brasileiras, os trogloditas de cassetete na mão do general Charles de Gaulle. Jan Bitoun, hoje com 57 anos, foi um dos milhares de jovens franceses que foram às ruas brigar contra a polícia por mais liberdade, menos burocracia. Quarenta anos depois, professor na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o então estudante de geografia sabe hoje que fez história naquela madrugada.
“Eu havia voltado de uma excursão geográfica e fui direto para o Quartier Latin. Lá, arranquei paralelepípedos do calçamento e ajudei a construir barricadas, que eram, para mim, muito mais um símbolo do que barreiras reais contra a polícia. Mas, como geógrafo, mapeei logo as possíveis rotas de fuga. Quando a CRS começou a bater, corri e me escondi, com outros colegas, embaixo da escada de um prédio. Então, uma idosa, em cujo apartamento haviam lançado gás lacrimogêneo, nos acolheu. Passei a madrugada tomando chá”, conta Bitoun, alternando sorrisos e cigarros.

A gênese do movimento de Maio de 68 tem sotaque alemão. Daniel Cohn-Bendit nasceu em Monatuban, na França, em 1945. Filho de alemães, foi criado do outro lado da fronteira. Em 1968, estudava sociologia na Universidade de Nanterre, situada nos arredores de Paris. “Ele era ótimo. Tinha os olhos muito vivos”, relembra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, professor de Cohn-Bendit naquela época.

O estudante liderou as reivindicações em Nanterre por alojamentos universitários mistos. Até então, mulheres ficavam em um canto, homens em outro. A reitoria disse não aos estudantes, que reagiram na forma de mais protestos. Até que Cohn-Bendit e outros colegas foram processados. Em represália, os estudantes ocuparam a reitoria de Nanterre, em 22 de março. “Ele estudava sociologia e eu, geografia. Conhecia Cohn-Bendit de vista, das assembléias. Nanterre ficava num subúrbio, perto de bairros de imigrantes. Convivíamos com as diferenças de muito perto. Então, havia uma maior consciência lá”, diz Jan Bitoun.
Em abril, Nanterre continuou sob protesto. A cada manifestação, havia mais prisões de estudantes. E, na seqüência, mais manifestações contra as prisões do protesto anterior. Uma bola de neve que se espalhou por outros câmpus parisienses, como a tradicional Sorbonne, encravada no Quartier Latin.

A truculência da CRS pôs mais lenha na fogueira. O que começou como uma reivindicação por alojamentos mistos em uma universidade suburbana incorporou novas bandeiras de luta: da reforma universitária ao fim da Guerra do Vietnã, passando pela rejeição à Guerra Fria e a derrubada do governo do presidente Charles de Gaulle – um herói da Segunda Guerra no poder há dez anos.

Quando maio chegou, só faltava acender o estopim. Universitários de Paris e outras cidades pararam a França. No dia 2, os estudantes de Nanterre fizeram uma greve, contra a convocação de Cohn-Bendit a uma junta disciplinar. No dia seguinte, o governo fechou a universidade. Os manifestantes rumaram para Sorbonne, Dany Le Rouge (o apelido de Cohn-Bendit) à frente. O reitor autorizou a ocupação do câmpus pela polícia – “decisão acadêmica excepcional jamais tomada na França a fim de pôr fim à agitação estudantil”, dizia o Jornal do Commercio de 4 de maio.

Em 10 de maio, milhares de pessoas foram às ruas e transformaram o Quartier Latin em uma mistura de quartel-general e bunker. Quando o sol se pôs, o bairro virou campo de batalha. Foi a “noite das barricadas”: 60 delas foram erguidas. “A CRS desmontou as barricadas e espancou muitos companheiros. Foi um momento interessante, mas não acreditava que isso fosse entrar para a história”, reconhece Jan Bitoun. Centenas de estudantes e policiais ficaram feridos. Mais de 400 manifestantes foram presos.
FHC, que morava no Quartier Latin, lembra que a agitação era permanente. “Duas vezes não pude dormir em casa, tive que ir para um hotel, porque estava tudo ocupado, cheio de polícia. Eu passeei pelas ruas, vi as barricadas, junto com Alain Turrain e Eric Hobsbawn. Senti o cheiro do gás lacrimogêneo e corri também”, conta o ex-presidente.
Em 13 de maio, o que estudantes em todo o mundo buscavam, os franceses conseguiram: a adesão dos trabalhadores. Mesmo contra a vontade do Partido Comunista, que comandava as principais centrais sindicais, cerca de 10 milhões de operários ocuparam fábricas e cruzaram os braços. A greve trouxe escassez de alimentos e gasolina. “Quem tinha carro e combustível dava carona a quem não tinha. Minha mãe, em uma ocasião, levou duas pessoas a manifestações diferentes: uma a favor de De Gaulle, outra contra”, relata Bitoun.
“Foi uma das maiores greves de todos os tempos. Na França sim, houve união entre os movimentos estudantil e operário”, confirma Luís Antonio Groppo, professor do Centro Universitário Salesiano de São Paulo e autor do livro Uma onda mundial de revoltas: movimentos estudantis de 1968.

As greves operárias duraram até meados de junho. O último aluno desocupou a Sorbonne no dia 17. O governo atendeu às reivindicações operárias e as fábricas voltaram a funcionar. Em 23 de junho, De Gaulle esmagou a esquerda nas eleições. “A França é um país onde se gosta de brincar de revolução antes de votar à direita”, ironiza o professor da Sorbonne – e aluno de lá em 1968 – François Moreau, em entrevista ao JC.

Veja também:

BBC Brasil
Maio de 68: Viva a Revolução (Lucas Mendes)
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080501_lucasmendes_ac.shtml

Folha on Line
Maio de 68 foi auge da década em que jovens "aceleraram" a história (Ébano Piacentini)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u396547.shtml

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Homenagens a todos/as jovens participantes da Conferencia Nacional de Juventude

Em nome de todos/as adultos/as educadores/as que almejam a transformação da sociedade justa, solidária e eqüitativa. Quero parabenizar e agradecer com todo amor e carinho os/as jovens que demonstram no fazer, no jeito novas formas de participação na I Conferência Nacional de juventude realizada nos dias 27 a 30 de abril de 2008.

Quero fazer as palavras deste breve texto gritar! Para demonstrar como está sendo significativa a participação juvenil na construção do marco legal no Brasil. E ainda destacar as lições conquistas e os desafios a trilhar neste processo.
A primeira grande lição para quem reivindica as Políticas Públicas de Juventude tem sido aprender a participar entender que a grandeza em compartilhar realidades (problemas, possibilidades) na perspectivas de melhorar a condição da juventude no Brasil e que o maior espetáculo tem sido o diálogo.

Nessa história os principais autores do roteiro são os/as jovens e adultos. Que não restringimos o que estão entre 406 mil participantes das etapas das conferencias estaduais e conferências livres,que buscaram articular com os diversos segmentos as bandeiras comuns(anexo proposta do FNMOJ), mas sobretudo ressaltar, que existe vários segmentos participando deste processo desde o final dos anos 90.

Isso implica, em afirmar como outra lição a diversidade juvenil diante de situações concretas, suas reivindicações argumentos que nas diferentes identidades de classe, de gênero, de raça , de escolaridade de meio ambiente que configuram uma juventude plural e nas experiências nas necessidades revelaram distintas beleza nas formas de organização e ação.
Estes jovens não são gigantes, também não são super-heróis e heroínas, mas são pessoas, gente especial, que nas suas diferentes bandeiras (raça, ambientalistas, trabalho, campo, cultura, sexualidade, segurança, educação, entre outros). Conseguiram aprofundar as propostas oriundas das etapas anteriores com bastante propriedade na possibilidade de construir uma agenda comum.

E ainda conseguiram pautar na cena nacional a juventude nordestina, mulheres, indígenas, juventude do campo, GLBTT ,pessoas com deficiência, e sobretudo a juventude negra na consideração as resoluções do I Encontro Nacional de Juventude Negra –ENJUNE,entre outros.
Nessa história os sujeitos políticos “sociedade civil, gestores públicos “ forma fundamentais nesta construção.Gostaria destacar os jovens como principal atuante no palco da democracia que não tiveram medo de apresentar propostas progressiva (em anexo o resultado da Conferência).
Pois como ninguém se constrói sozinho, somos construídos e construtores da história brasileira. E como existe uma correlação de forças, perceberem que para estas propostas sejam concretizadas teremos muito que fazer. Neste sentido temos que apontar os rumos a ser trilhados para que estas propostas não fiquem no papel.

Isto implica em manter animação, a chama da irreverência, o diálogo, a mobilização dos jovens para que possamos levar aprovação do marco legal, que para isso temos o desafio de ampliar a participação dos jovens nos estados e municípios, preparar mais e mais para saber com novos desafios e nos argumentos das Políticas de Juventudes.
Quero declarar que estou apaixonada pela juventude há um bom tempo. Por isso, minha expressão na conferencia que num ímpeto de coragem, fiquei de pé, aplaudi calorosamente e chorei copiosamente. O espetáculo da participação juvenil.

Todos ovacionaram esta arretada participação, percebi que todos demonstravam tamanha alegria. Então descobri que os /as jovens estavam apaixonados/ as por si mesmo. A auto-estima tão brilhante nas suas várias potencialidades em ser : dinâmicos/as , atraente, singelos/as , serenos/as, agitados/as, irreverentes, enfim tudo de bom.
E como diz o poeta, mas vale o já feito, mas vale o que será. quero convidar a vocês a continuarem neste processo, que estamos construindo na formulação e implementação das políticas de juventude o desejo de outros dias melhores virão.
“...Se muito vale o já feito, mas vale o que será
Mas vale o que será
E o que foi feito é preciso conhecer para melhor prosseguir
Falo assim sem tristeza, falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos que nós iremos crescer
Nós iremos crescer, outros outubros virão
Outras manhãs, plenas de sol e de luz ...”( Milton Nascimento e Elis Regina)

Um forte abraço,
Graça Elenice Braga
Coordenadora do Programa Juventude e Participação - EQUIP
enviado para lista do FJR